Como estrategiar Exposição e Carreira

A partir de diversas experiências com o sistema de Arte e analisando o cenário artístico local, elaborei uma série de idéias sobre possíveis caminhos de articulação entre Arte e Mercado.
Não são idéias definitivas ou situações ligadas ao rigor teórico da área, mas uma busca prática e honesta por qualificação e potencialização de resultados, que numa análise geral, enfraquecidos por ações banalizadas, têm se mostrado desgastantes e pouco frutíferos. Assim, desejando melhorar seus resultados como profissional da Arte, convido-o/a para uma Análise de Produção em Arte, onde pensaremos juntos(as) sobre os assuntos abaixo. Esta conversa é profissionalizante, qualificadora e particular, com aproximadamente 2 horas de duração, inclui chá com biscoitos no meu ateliê, agendado por e-mail em final de semana, ao custo de R$ 20,00.

Seguem os tópicos estratégicos

1. Mercado x Processo Artístico são conceitos compatíveis?
Podem ser compatíveis ou não dependendo de que tipo de arte você faz.Seu processo artístico inclui o mercado? De que forma?Que tipo de público você deseja trabalhar?Processo artístico sofisticado = público/mercado institucionalProcesso artístico convencional = público/mercado convencional
2. Elementos de Apresentação no Sistema e no Mercado
Localizar seu nicho – que tipo de arte você está fazendo, quem faz coisas parecidas com o que você faz, que tipo de processo você tem. Você consegue se ver?Construção da identidade artística: seu nome é sua marca, cartão de visitas com formas de contato, qualidade de portfólio – fotos & textos, o blog e sua divulgação. Como lidar com os custos de produção – Uma rede de contratos de risco. Escambo de interesses.
3. A Banalização do Sistema - O que acontece? Montagem da divulgação – interatividade web x contatos pessoais pessoa-a-pessoa A profusão de exposições x os convidados de sempre x a vernissage "festa"
4. O Laboratório Bienal B - O que ela ensinou
Montagem de uma exposição.Tempo de divulgação.Trabalho na pré-produção.Como se diferenciar.Como usar a mídia.Como trabalhar depois da vernissage.
Menos Quantidade Mais QualidadeÉ muito importante se localizar e definir que tipo de público/mercado você deseja atingir para estabelecer a estratégia correta de exposição dos trabalhos, mas em qualquer categoria, tempo de produção e criatividade são imprescindíveis. Fugir do lugar comum e dos sistemas pré-estabelecidos vigentes será fundamental para criar uma atenção diferenciada para seus trabalhos e, assim, possibilidades comerciais ou mesmo de destaque entre o público especializado. Tenha cuidado ao definir seu nicho de trabalho, pois não adianta você ser pintora de paisagem e querer competir comarte conceitual, igualmente será frustrante e trabalho em vão. Não gaste seus recursos querendo fazer tudo e participar de tudo. Resista e invista seus esforços numa estratégia bem pensada, criativa e altamente personalizada. Dá muito mais trabalho e demora, mas efetivamente trará resultados e satisfação.

Conceitos e referências 2008 - última versão

Ruínas Pictóricas na Transdiciplinaridade Contemporânea
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"Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno".
Antonin Artaud
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INTRODUÇÃO (baseada no texto de apresentação da autora por Hélio Eudoro*)
Existe uma clara intenção de fazer arte contemporânea. Para tanto, existe um constante exercício de diálogo com o entorno e técnicas, através de performances, interferências urbanas, stickers, zines, música e instalações onde geralmente a autora se insere como um bem humorado e irreverente elemento da paisagem. Existe um questionamento constante dos suportes, do convencional, uma contínua busca da reinvenção; mutando, negando, reafirmando e negando novamente.
A conceituação oscila constantemente: hype, assemblage, naife, pop, hop, street, urbana, acúmulos, apropriações, linguagem prolixa e poluída. Parece muito? Mas não seria esta visualidade tão diversificada e sobreposta, uma resposta estética coerente com a experiência cotidiana? Logo, não existe uma necessidade de estigmatização, é isto ou aquilo, mas é isto E aquilo. É tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Referente ao território ou não.
O ateliê enquanto espaço de planejamento e finalização das obras, assim como laboratório para estudo da composição da própria obra enquanto possibilidades de inserção no espaço. A gênese, a gestação e a realização da obra que deverá acontecer nos espaços públicos ou privados. A rua, a cidade, os muros, o próprio olhar do público, tudo serve de suporte para um processo que tem suas bases no exercício das questões pictóricas, mas que na reflexão sobre as relações da autora com o meio e o tempo que vive, incorporam o trabalho poeticamente como ruínas, inseridas dentro de uma complexa solução transdiciplinar e multi-relacionada.

O GRÁFICO E A LINHA
O graffiti, a pichação, os adesivos, enfim, a expressividade popular das ruas, a estética encontrada em sites da internet construídos e/ou dirigidos às gerações de artistas que misturam cultura pop, alternativa e comunicação virtual, são referências fundamentais e significativas ao processo de construção de uma linguagem plástica nesta pesquisa.
Das técnicas utilizadas no espaço urbano ou virtual, observa-se a valorização do gráfico para estabelecer um diálogo com o espectador. A facilidade de leitura proposta por estes elementos gráficos, constituídos muitas vezes por linhas únicas e marcantes, geram uma decodificação imediata que age diretamente sobre o interesse do observador, levando-o a manter a atenção sobre o objeto e continuar decodificando, o que também interessa à autora que apropria-se deste mecanismo para gerar a percepção das relações com os demais elementos da composição do trabalho. A linha, neste caso, tem uma grande influência no processo construtivo, visto que muitas idéias iniciam-se a partir de linhas de recorte e desenhos vetorizados em Corel Draw. Os primeiros rascunhos de idéias ou elementos que venham a compor futuros trabalhos, são exercitados neste sistema de tela e mouse. Um exemplo deste processo é quando parte de uma fotografia digital, feita de si própria em movimento, redesenhado e transformado em molde stencil. Impresso e copiado para a radiografia, sofre o recorte – novamente um processo de linha, para servir de forma aplicada via molde, nos mais diversos suportes. A própria forma recortada, o que sai do molde vazado – stencil, torna-se elemento dentro da composição, juntamente com cacos ou resíduos que possam ser produzidos. Existe a possibilidade de aproveitamento integral de toda a produção que venha a partir desta foto vetorizada, forma em linha, ou mancha chapada, produzida pelos meios digitais e tornada matéria. Por outro lado, na mesma composição encontram-se presentes simultaneamente, sobreposições entre elementos gráficos (reproduções e sobreposições de grafismos ou stencil), construções de planos, tanto pictóricos quanto matéricos, linhas de ligação entre elementos ou sugerindo perspectivas, figurativos chapados ou compostos pelo acúmulo de linhas ou gráficos, assemblages formando um objeto bidimensional.

A ASSEMBLAGE
Como pode-se encontrar ao longo da história, trata-se de um objeto nascido de uma intenção pictórica, mas que extrapola o limite deste conceito, encontrando referências em artistas como Robert Rauschenberg e suas "combine paintings ".
A profusão de elementos expande o objeto para o próprio espaço do observador ao mesmo tempo que perspectivas hipnóticas e gestahlt´s premeditadas absorvem-no dinamicamente para dentro da composição. O conceito de assemblage se dá tanto nos aspectos formais, quanto no uso de diferentes processos construtivos, gráfico, pictórico, tecnológico, que objetiva aproximar-se das relações visuais cotidianas multimídia a que o espectador está sujeito diariamente.

A TECNOLOGIA
Lendo o artigo "O Regime Visual da Web Arte", de Maria Amélia Bulhões, no parágrafo Uma Nova Cultura Visual, Revista Aplauso 91, de abril 2008, percebe-se outro referencial aos conceitos visuais aos trabalhos em questão:
" Justaposição, sobreposição e hibridismo fazem parte dessa visualidade cumulativa, que se sustenta não na busca de uma unidade, mas por leituras de telas que, uma a uma, vão construindo sentidos."
Esse texto da professora Amélia descreve muito bem certos recursos visuais reincidentes e reflexões acerca dos processos construtivos e criativos, frutos de uma convivência diária profunda e perturbadora com a estética virtual, com a tela do computador, com visões fragmentadas, dinâmicas e urbanas.

A CONSTRUÇÃO DA COMPOSIÇÃO
Da mesma maneira, as sobreposições observadas nos trabalhos em discussão, junto com suas relações de diálogo e leitura induzem a diluir a obviedade das figuras imediatas, da figura em si, em prol de uma percepção de conjunto, da investigação e proposição de questões, percebendo camadas e perspectivas. Este procedimento de acúmulo de informações recebe influências e referências tanto da experiência visual tecnológica diária quanto pela estética de acumulação da assemblage que permite que todo e qualquer tipo de material possa ser incorporado à obra de arte, reafirmando afinidades entre arte e vida cotidiana.
Neste processo de construção do conjunto visual, existe a intenção de propor ao observador a opção de identificar ou não figuras dentro do conjunto, mas da mesma maneira, é forçado a ter uma leitura dos demais elementos que se integram e dialogam com estas figuras encontradas. A diluição da figura entre os demais elementos da composição pretende questionar a validade de uma leitura apenas figurativa obrigando o espectador a percorrer e interpretar estes conceitos em relação aos demais elementos que dialogam por todo o trabalho.

PICTÓRICO, OBJETO, COLAGEM OU ASSEMBLAGE
Parte-se do estudo pictórico, que se avoluma, torna-se construção matérica mesmo que ainda sejam relações e estudos de pintura, referenciando-se para isso nos trabalhos de Nuno Ramos, que também questionava o volume pictórico através da acumulação de elementos, buscando uma dinâmica de relação entre os elementos que formassem uma leitura contínua e não simplesmente de colagem. Para isto, ele buscava "enfraquecer a forma", processo de análise de construção da composição, que ocorre durante o fazer, usados nos trabalhos em discussão e também referenciados nos trabalhos de Jackson Pollock e que diz respeito a agregar os elementos de forma que um leve ao outro, gerando uma dinâmica de leitura ao observador. Tais procedimentos aprofundam-se em processos de equilíbrio visual, de construção de percursos ao olhar bem específicos, que, enquanto fazer, num primeiro momento se expressam e num segundo se organizam, formando um diálogo com a autora no instante de sua construção, que tem por satisfeita a obra, enquanto que seus resultados expressam diálogos possíveis e dinâmicos ao observador.
Neste processo criativo tão diversificado em meios, suporte e gestualidades, a autora não somente mantém um diálogo com o objeto, como imerge em sua construção. Passa a maior parte do tempo mergulhada dentro da próprio fazer, repetindo a trajetória da "action painting", que rompe com o limite do bastidor, abre a composição para o próprio espaço, traz o objeto artístico para sua própria realidade e vive-a, subvertendo o conceito contemplativo e passando a fazer parte da obra, existindo enquanto uma relação corporal entre a artista e a obra resultante do encontro de sua gestualidade e o material.
"Pegar a pintura", "pegar a forma verde" "pegar a linha", construir um plano de cor através da inserção de um objeto que tenha a cor, o próprio plano do objeto é o plano de cor, a pintura sai pra fora e torna-se literamente física, objeto, tridimensional, e ainda é bidimensional, ainda necessita a parede para escorar-se, não interessa trabalhar o lado de trás. Um objeto bidimensional, tanto quanto realidades virtuais, tridimensionais, chapadas na tela do computador. Você pega, mas também não pega...está ali, real, mas também não.... Nesse fazer, rompe-se os limites do pictórico, que permanece enquanto referencial na pesquisa, mas as possibilidades de relações, de meios, de conceitualização se multiplicam e se sobrepõem.


O DISCURSO DO OBJETO, AQUILO QUE SOBREVIVE
Essas novas leituras, o grafitti, apropriações da cidade, não são novidade. Referências e estudos sobre o assunto multiplicam-se vertiginosamente, tanto quanto inovações na tecnologia, e fazem parte das questões da arte atual. Artistas explorando estes conceitos proliferam invadindo galerias ou convivendo com o público pelas ruas da cidade. As últimas edições da Revista Aplauso, guia referencial da cultura local (Porto Alegre, 2008), tem realizado uma série de artigos à respeito evidenciando aspectos desse tipo de produção de caráter híbrido e urbano. Ressalta-se uma matéria sobre a exposição do artista Eltono, que realizou trabalhos de apropriação e pintura para a Galeria Adesivo em Porto Alegre.
"(...)Em Porto Alegre, passeou pelas ruas recolhendo materiais tratados como lixo. "Ele estava muito empolgado com as texturas das madeiras, encontrou chapas de lanchonetes da década de 80", (...) "Pintando as favelas do Rio de Janeiro descobri que suas paredes são o suporte mais interessante para meu trabalho, então passei a recriá-las", explica Eltono. (...)"
Do gráfico ao pictórico, da assemblage à tecnologia, "action painting" ou "combine paintings", todos os elementos e conceitos convergem para a reformulação da experiência visual diária urbana. É no conceito de conjunto do objeto que reside a justificativa de seu processo, da leitura que faz do entorno. Os múltiplos elementos sugerem um diálogo sobre as relações com a urbanidade, através de aspectos físicos – e de acumulação - que vem dos resíduos, da fuligem, da agressiva convivência com a poluição visual, do lixo, do marginal. A sobrevivência como contraponto. A existência apesar da adversidade. O domínio da adversidade. Uma profusão de linguagens que faz lembrar e ansiar o silêncio. A paz que vem do torpor, a satisfação pelo fastio. Trata-se de composições "de" e "sobre" sobrevivência num meio hostil. E é uma sobrevivência natural, quase não-questionadora, pelo contrário, conformada e adaptada para a própria adversidade.
O emprego de madeiras, isopor, plástico, refugos tecnológicos, a presença do grafitti, da tinta spray usada inclusive conceitualmente, por sobre materiais, restos de cartazes, fiação, bandagem, parafusos, grampos e pregos. Até a sujeira faz parte. Existe uma ação inicial de coleta, não qualquer coleta, mas seletiva, desde então considerando-se sua significância já prevendo um projeto de combinações futuras, uma pré-organização e escolha destes materiais, destes vestígios urbanos e de registros de existência que irão compor a obra, tanto como elemento de cor, de mancha, quanto elemento simbólico e significante. Segue-se uma apropriação destes elementos para recombiná-los na elaboração do objeto artístico, uma reconstrução urbana que serve de suporte e corpo para o objeto bidimensional que irá, ainda, receber elementos gráficos e pictóricos, que conduzam o olhar para diálogos e dinâmicas. Simulacro de cidade para conversar com ela, exercer domínio. Parte de elementos de desconstrução, da cidade ou da própria identidade, restos recolhidos, que se misturam a um caldo de meios. No processo de reconstrução, estabelece camadas referenciadas por fundamentos pictóricos mesmo que o resultado final tenha um profundo diálogo gráfico. O trabalho avança sobre o espaço do espectador, com uma nova unidade, reconstruído, regurgitando o que assimilou com uma nova leitura, aquilo que agredia agora é dominado, a leitura da autora, da adversidade de tantos elementos nasce o que deveria sucumbir, uma visualidade autoral transdisciplinar e sobrevivente.

ARTE LIVRE, PRESSUPOSTOS DE PESQUISA
Tecnologia, apropriações ou construção pictórica. Hibridismo transdiciplinar comum aos tempos atuais. Certo é que é um processo que pulsa, expandindo e concentrando, destruindo para construir...auxiliado pelas dinâmicas do objeto articuladas deliberadamente para este fim, oferecendo pistas sobre os elementos da composição e jogando o espectador para os mais diversos percursos... o tempo inteiro diálogos e relações com os conceitos da virtualidade ao propor diversas leituras, opções, construção e uma participação física do observador. Um simulacro de virtualidade, ou da própria experiência cotidiana, elementos em movimento suspenso, entre a realidade do objeto e a interação no espaço do espectador. Ainda que o chassi de madeira transforme-se num conjunto de meios, técnicas e linguagens, migrando da matéria para a arquitetura do trabalho, onde nenhum sentido prevaleça, mas cada elemento legitime sua importância no equilíbrio do todo, pode-se afirmar que existe a possibilidade do objeto ter sua relevância para as questões pictóricas, ainda que isto seja longe de esgotar suas possibilidades de conceitualização formal.

CONCLUSÃO
Para finalizar, faço minhas as palavras de Nuno Ramos:
" Sinto apenas que o progresso e o retrocesso, o futuro e o passado, as conquistas e as perdas, tudo parece vertiginosamente entrelaçado. Diante disto, parar a frase no meio, não permitir que os materiais se estabilizem, identificar-se com a natureza e com a técnica, com o Carnaval e com as Cinzas, recuar para o momento que precede a ação, saber desviar do olhar de quem te solicita, aparecer desaparecendo, enfim, não se deixar formar inteiramente, talvez seja uma astúcia válida para construir um abrigo onde ainda dê pra ser um pouco livre. No meio de tanta gente sabida, de tanta palavra de ordem disfarçada, o melhor talvez não seja bater de frente, mas estar sempre em outro lugar.".


REFERÊNCIAS PRÁTICAS
* Hélio Eudoro é artista plástico e produtor cultural. Escreveu um texto de apresentação sobre Gaby Benedyct usado em seu portfólio por ocasião de inscrições em salões ou outros fins, como exposições ou esta monografia.
Experiência visual diária urbana + 8 horas diárias em frente ao computador.
Visitação e análise crítica dos trabalhos em exposições no Santander Cultural, Galeria Adesivo, Bolsa de Arte Galeria, Galeria Arte & Fato, Subterrânea Galeria, seis edições da Bienal do Mercosul, MARGS, Associação Chico Lisboa, Galeria do DMAE e Galerias do Gasômetro entre outras menosres entre os anos de 2002 e 2008.
Experiência prática e crítica adquirida na articulação, acompanhamento e participação do trabalho curatorial do evento Bienal B, 2007, em relação à análise de mais de 400 portfólios virtuais de artista.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Principais - usadas na composição desta monografia texto.
Assemblage – Site Itaú Culturalhttp://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=325Nuno Ramos – entrevistas nos siteshttp://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/julmonachesi/entrevistas/nunohttp://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/000683.htmlAction Painting – Site Itaú Culturalhttp://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=350Aplauso: http://www.aplauso.com.br/site/portal/detalhe_notas.asp?campo=1012&secao_id=17RIZOMA.NET
http://www.rizoma.net/interna.php?id=153&secao=artefato

Secundárias, mas não menos importantes coletadas nos últimos 4 anos, contribuíram para o processo dos trabalhos em questão e são constante fonte de pesquisa, por manterem uma reflexão atualizada com o contexto cotidiano, foco de interesse da autora.
http://artesdoispontos.com/
http://www.portalartes.com.br/
http://www.speculum.art.br/
http://www.eco.ufrj.br/pretexto/pensamento/pensa2.htm
http://www.echonyc.com/~trans/artcity/artecidade.html
http://arte.coletivos.zip.net/
http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/resources/rvilhena/chumana.htm
http://www.cromossoma.com.br/
http://www.netprocesso.art.br/
http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/404nOtF0und/404_22.htm
http://www.artbr.com.br/2008
http://www.zupi.com.br/
http://www.canalcontemporaneo.art.br/
http://www.alexandreorion.com/_orion.htm
http://amnesia.weblog.com.pt/
http://www.canalcontemporaneo.art.br/
http://www.cidadecenografica.com.br/oquee.htm
http://www.graphotism.com/gallery.asp
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/arttec/home/dsp_home.cfm?cd_pagina=1432&cd_pagina=1432&CFID=5481802&CFTOKEN=68204197
http://www.ucm.es/info/especulo/numero28/estrateg.html
http://www.stencilbrasil.com.br/
http://www.stencilgraffiti.com/links.html
http://www.cvergara.com.br/pt/anos2000/galeria.php?idx=00050
http://dmtr.org/generative/?id=45
http://superbad.com/1/notice/index.html
http://cfh.ufsc.br/~simpozio/megaestetica/e-cores/3911y117.html
http://www.rojo-magazine.com/

Bienal B - Conclusões

Recebi este e-mail que acredito representar um questionamento muito comum entre a comunidade artística. Resolvi postar no Blog, porque ao responder-lhe, faço registro de uma série de idéias sobre o assunto que posteriormente podem ser aproveitadas, tanto por mim como de leitores/pesquisadores do assunto. Mantenho sua identidade em sigilo, visto que não pedi permissão para publicação.

O E-mail

Querida Gaby-com o encerramento das Bienais quero, em tempo, te cumprimentar por tão exitosa empreitada.A pessoa certa no lugar certo, repito eu. Sigo porém com minhas dúvidas quanto aos critérios, ou não, de seleção.Temo ficar o equívoco no ar- para quem faz e quem vê arte- espécie de apologia às avessas de uma causa, caso o produto mostrado não convença. Ou não. Tô pensando alto contigo, com aquele meu vício crítico de exigência de VISÃO. Contigo que afinal deteve as rédeas dessa campanha que deverá sobreviver forever junto às próximas Bienais, cravando quem sabe ainda mais em seu lado B. Tá em tuas mãos Gaby, parceira querida, dar forma às nossas espectativas, até uma adequação, quem sabe, aos novos modelos (como insiste hoje a Bi de Sao Paulo), capaz de se adentrar legal nessa TERCEIRA MARGEM, aquele espaço¨¨entre¨¨, super conquistado, digno de ser visto, julgado e considerado, como propôs o Gabriel. Tu sabe, tu pode: Vamos sempre.

Minha Resposta

Saudações!Fico extremamente feliz em receber tuas considerações e ver nisso a possibilidade de conversarmos a respeito. Muito obrigada pelos cumprimentos.Vou te contar um pouco da história e dos meus sentimentos, como dizes, pensando alto junto com você...
Esse filho, Bienal B, assim como é normal aos filhos, acabou, em muitos momentos, se rebelando contra minhas rédeas e se impondo democraticamente contra algumas de minhas vontades.Tenho consciência que mostramos muita coisa "ruim"(?), misturado com coisas legais, mas por outro lado, acabamos parindo uma Bienal democrática sem precedentes, uma amostragem de arte das mais diversas qualidades como nunca se viu. Tem coisas ruins? pra quem estuda arte tem bastante, mas também tem um monte de coisas ótimas, de gente talentosa que se tornou visível graças à B. Acho que isso supera a decepção de algumas pessoas da classe e sinceramente, meu intuito não foi agradar a classe, pois a esta (recheada daqueles que se apropriam de teorias lidas e repetidas para emitir opinião de rodapé) quase nada agrada. Basta ver a permanente crítica à Bienal do Mercosul que, coitada, nunca agrada rsrsrsrs ...acho esse tipo de opinião também muito duvidosa, de gente que não pode se agradar de nada, pois tem medo de se comprometer, ou não consegue ter flexibilidade para ver aquilo que tem de bom em iniciativas positivas e/ou construtivas.
Vale citar que a Poa Boa também foi uma paralela, aparentemente construída sob princípios de qualidade melhores que a B e nem por isso agradou também, pois também dela ouvi críticas... deixando claro que da minha parte também sou participante da POA Boa e gosto de muitas coisas que estão lá. O objetivo fundamental da B foi criar opotunidades de diálogo com o público leigo e essas coisas que nós artistas consideramos muitas vezes ruins, é justamente o que faz a ponte com o público leigo...também pude observar que essas coisas "ruins" faziam justamente o público virar os olhos para coisas mais legais....Nosso público alvo foi o público leigo e nosso objetivo foi tornar a arte mais acessivel, menos careta e considero que tivemos sucesso.Para mim, a Bienal B não é apenas uma amostragem de arte, mas o próprio objeto artístico. Seu mérito não é pelo que mostrou, se era quadro de paisagem ou uma complexa obra de significados misteriosos e processos profundos, mas pelo que representou em termos de reconhecimento de sua própria existência enquanto articulação de sistema de arte, que sabemos, não se compõe apenas dos melhores artistas.Concordo com suas idéias em alguns pontos e meu intuito estava próximo disso, mas ao lidar com a democracia, orientando o gerenciamento muitas vezes através de uma opinião gerada por um consenso interno da Bienal B, muitas coisas tomaram rumos diferentes e autônomos, que apesar de parecerem ruins inicialmente, foram justamente fator de mudança, que, claro, causa desconforto e estranhamento. Mas em Arte é assim mesmo né, o que é novo geralmente é visto com reticências e a história da arte está ai para legitimar....Olhemos em torno e vamos ver o quanto nossos modelos se encontravam estagnados...a Bienal B é muito alternativa? mas foi isso justamente que se tornou legal...Imagine eu no começo querendo que tudo saisse perfeitinho heheheh enlouqueci mesmo, dai, quando relaxei e larguei as rédeas, o filho se tornou independente, mostrou que tinha o gên(io) de todos aqueles que lhe pariram e mostrou que sabia se virar sozinho, mesmo que não fosse exatamente como eu imaginava, mas de alguma forma dando certo...e isso foi bonito de ver.Concluindo, como tudo na Bienal B não é como se espera, não tenho tanta certeza de que serei propulsora de uma segunda edição desta paralela, pois no meu sentido de dever pela causa, já fiz meu papel, mostrei caminhos, que era possível mesmo sem dinheiro, que se todos se motivarem em confraternização tudo é possível...cumpri meu papel, mas não serei escrava disso forever...não sou escrava de minhas idéias, pois assim que uma nasce e anda sozinha, devo desapegar, devo deixá-la ir, para que eu possa ser livre para criar mais, cumprindo efetivamente o que considero meu verdadeiro papel: motivar, criar, fazer com que o "fogo" contagie mais e mais...Assim como uma obra acabada e exposta ao público, que deixa de pertencer ao artista, sinto que minha obra em relação a Bienal B, da forma como ela aconteceu, está encerrada é de domínio público. Para mim, a Bienal B se tornou fonte de muita reflexão. Sobre ela, meu dever ainda é escrever e registrar tudo o que se passou/passa. A importância não é realizar uma segunda Bienal B, mas prestar muita atenção a tudo o que aconteceu por causa dela e usar esse grande laboratório que ela foi para tirar-lhe o suco e re-alimentar o sistema.Puxa, aprendi coisas demais sobre muitas coisas e ainda estou pensando muito....Não sei mesmo como será uma segunda Bienal B ou de que forma estarei envolvida com isso, pois preferia ser apenas uma artista participante, uma colaboradora ou consultora, mas não gostaria de ter tanto trabalho como tive, ser linha de frente...puxa, isso dói bastante...
Mas é óbvio que não vivo sem uma sarna pra me coçar, com certeza absoluta assumo em minhas mãos, como sempre assumi, engajamento na dura luta de fomento e desenvolvimento de um cenário artístico inclusivo, tanto de artistas quanto de público. Vou usar o que aprendi para isso (vide próximo texto abaixo). Não creio que nasci para virar a dona de um grande projeto, pois vejo em sua manutenção e permanência, rotinas e ritos repetitivos, um cotidiano completamente avesso à minha liberdade criativa. Vira chatice e acho isso muito chato(redundância proposital para enfatizar o quanto acho isso chato...). Como criança, quero brincar, quero ser livre e criar muito mais margens que apenas 3, quero todas as praias do mundo...Bom, posso falar hoooooras sobre isso, posso ter dito algumas bobagens, mas como te disse, estou num momento de profunda reflexão. Espero ter te dado outras perspectivas sobre o assunto, um outro olhar sobres suas espectativas.Te agradeço que fostes propulsora de mais essa chuva de idéias, pois escrevendo para você na verdade escrevo pra mim. Abraços.

Início Bienal B

Bienal B ...
É maravilhoso ver este evento acontecendo, andando, tomando sua forma definitiva após 8 meses de gestação e trabalho árduo dia e noite todos os dias....ver equipe e artistas felizes, ver a festa da cidade inteira, a mídia comentando sobre arte o tempo inteiro...e não interessa se é Bienal B, Poa Boa ou Bienal do Mercosul, o que importa é que é over Arte por toda a parte...
Mas estou muuuinto cansada
Tô chapada de cansada
e ainda assim criativa
ainda assim querendo fazer
viciada em adrenalina
como é bom apagar na cama
e parece que nesse turbilhão de coisas
me vem o traço que traço sempre
a figura distorcida
a palavra
me parece tão meu
me parece tanto o que quero
tão familiar e verdadeiro
é o que realmente gosto de fazer
bonecas gráficas viajando por ai...
quem sabe stencil ou lambe ou tudo junto
tudo o que está acontecendo
ao mesmo tempo que me arrasa, me liberta
é bom, é realmente muito bom...

Questões da linha

A linha me atrai.
Uma linha certeira, limpa, uma gestualidade poética cirúrgica, ninja, sssslefffft...chego a ouvir uma lâmina cortando o ar ...e no delírio seguinte a forma, gráfica, indiscutivelmente ali...
Essa linha de recorte, de limite, de indicação, de ligação entre elementos de um imagem.Essa linha torna-se protagonista em meu trabalho.
Ora ela é o limite recorte da paisagem, ora é o limite recorte de uma figura.
Esta figura é uma figura humana, penso na figura humanidade, na figura urbana.
Não se trata somente da representação de uma figura humana feminina, mas da reprentação de um conceito de universo urbano feminino. Não escapo de uma leitura de gênero, pois minha vida sofre as conseqüências de uma experiência de gênero, logo minhas representações tem essa característica, mas ainda assim, são questões independentes de gênero. São antes de tudo, questões de humano, especificamente urbano.
No processo de inserção e representação desta figura em relação ao todo do trabalho, busco construir não uma narrativa da figura, mas a representação de um conceito. Pretendo que a figura humana/urbana seja uma representação das questões do humano com o entorno contemporâneo.Minha pesquisa, pretende construir uma solução visual que harmonize a figura com os demais elementos da composição, apropriados da paisagem urbana e/ou do espaço do espectador, buscando tirar o foco da leitura figurativa, diluindo-a através de outras linhas presentes na composição, tão protagonistas e "gestahlt" quanto a figura em si, para subverter a leitura do observador para as questões formais da composição.
Resumindo em português: Pesquiso soluções que façam com que, apesar do trabalho ser figurativo e da possibilidade narrativa, a experiência do espectador seja induzida para uma leitura não-figurativa e não-narrativa (= "abstrata") .

A busca da integração da figura.
Dissolução da figura nas formas do todo.Mancha e linha estabelecem diálogos entre pintura e desenho.A força da linha que manipula a integração das cores e das formas confundindo o olhar ao ponto da figura dissolver-se na pintura.Equilíbrio de energias nada fácil.
Re-inventar este equilíbrio.
Repetir a solução de achar o ponto delicado onde é difícil distinguir os limites entre imagem e as questões formais, entre significados e significantes, seduzindo o olhar nas dinâmicas em "looping" que se estabelecem.
A pesquisa continua...

Nem desenho, nem pintura, nem escultura, mas tudo junto.
A presença da tinta não é a pintura, mas meio para obter/localizar um ponto de cor, tanto quanto a estrutura/bastidor é tão cor quanto o tom do papel kraft. Planos e manchas de pintura que se estabelecem por sobreposição de elementos e dos espaços entre estes elementos, mais ou menos iluminados, mais ou menos escondidos/revelados, mas sempre com uma intenção decidida de presença incorporada ao espaço e tempo do observador.

A pintura me levou ao stencil.
O stencil me levou ao corte.
O corte enfatiza minha linha.
E tudo que compõe o objeto considero cor, manchas e linhas.